Número Atual
V. 27 — 2026
Ver detalhesDossiê: Uma outra história da diplomacia dos mundos medieval e moderno: literaturas, ideias e agentes (século XIV-XVII)
Resenhas
A condessa de Berlepsch. Entre Düsseldorf, Madri e Viena: agência feminina e poder informal (1654–1723)
KOZÁK, Valentina Marguerite. La condesa de Berlepsch. Entre Düsseldorf, Madrid y Viena: agencia femenina y poder informal (1654-1723). Madrid: Sanz y Torres, 2025. 404 p.
Fluxo contínuo
Artigos
Governança e desenvolvimento internacional: seis décadas de desafios e transformações na trajetória da UNCTAD
Este artigo examina a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) de 1964 a 2024, analisando seu papel como espaço político de articulação dos países do Sul Global no desenvolvimento internacional. A pesquisa adota abordagem multidisciplinar fundamentada no institucionalismo histórico. Metodologicamente, privilegia análise qualitativa de fontes primárias e secundárias diversificadas: documentos diplomáticos nacionais, discursos, declarações de conferências e arquivos da UNCTAD. O estudo demonstra como atores específicos do Sul Global moldaram a agenda institucional, suas percepções em diferentes contextos históricos e os efeitos concretos de suas iniciativas. A pesquisa contribui para a historiografia das relações internacionais, oferecendo uma perspectiva centrada na agência dos países em desenvolvimento na formação da ordem econômica mundial.
Um viajante francês no sul da África: François Levaillant no Cabo da Boa Esperança (1780-1790)
O artigo analisa os relatos de viagens de François Levaillant sobre o Cabo da Boa Esperança, destacando sua experiência de viagem a partir do entrelaçamento entre interesse científico e sensibilidade, na passagem das décadas de 1780 para 1790. A atenção especial do artigo incide sobre Voyage de M. Le Vaillant dans l’intérieur de l’Afrique (1790), a partir de perspectivas teórico-metodológicas da História Global, considerando as conexões globais e o contexto colonial no sul da África. Assim, o artigo discute a circulação de comerciantes, viajantes e naturalistas no sul da África, com ênfase nas estratégias de autorrepresentação do viajante e das novas sensibilidades associadas à viagem a territórios distantes.
“Dona Solange, veja se me deixa em paz”: Rita Lee e a censura musical na década de 1980
Este artigo focaliza a censura musical, especificamente a produção de Rita Lee nos anos 1980, momento em que, a despeito do processo de abertura política, o Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP) continuou ativo. Figura das mais produtivas da MPB, a cantora contou com 21 canções vetadas no período. Para a presente análise, as fontes selecionadas foram os pareceres censórios, relatórios do SCDP, a crítica musical publicada no Jornal do Brasil e na Revista Manchete e a autobiografia da artista. Os documentos evidenciam o processo censório, bem como as estratégias utilizadas para driblar o cerceamento, os recursos apresentados pelas gravadoras, além da “negociação” entre a artista e a diretora do SCDP. O texto contribui, assim, para a história do Brasil contemporâneo e para as tensões entre a produção cultural e o aparato censório ao final da ditadura militar.

