Negociando fronteiras: povos indígenas e as comissões de demarcação na Amazônia, no final do século XVIII

ArtigoV. 262025

Resumo

À época da implementação do Tratado de Santo Ildefonso (1777), Espanha e Portugal enviaram expedições conjuntas para demarcar suas fronteiras sul-americanas, como haviam feito para as negociações do Tratado de Madri de 1750. Este artigo baseia-se na documentação das comissões espanhola e portuguesa da década de 1780 e do início da década de 1790, com ênfase em seu impacto sobre os povos indígenas e, sobretudo, nas ações por eles empreendidas. Ele enfatiza especialmente os registros produzidos pelo comissário espanhol Francisco Requena, que também atuou como governador de Maynas. O artigo mostra como as populações indígenas se aproveitaram das rivalidades ibéricas para negociar seu reassentamento e manter sua autonomia. Meu argumento é o de que as reivindicações nativas de territorialidade e aliança, ao tornarem a fronteira permeável, minaram as estratégias de demarcação dos comissários ibéricos.

Palavras-chave:

  • Amazônia
  • Povos Indígenas
  • Fronteiras

Como citar este artigo

CARVALHO, Francismar Alex Lopes de. Negociando fronteiras: povos indígenas e as comissões de demarcação na Amazônia, no final do século XVIII. Topoi (Rio J.), v. 26, p. 1-28, 2025.